A
educação já não é mais uma das prioridades do Brasil, pelo menos é isso que o
governo deixa transparecer. Segundo o Jornal O Globo, o MEC prevê cortes
orçamentários para as universidades federais de todo o país. Algumas das mais
importantes instituições federais, como é o caso da UFRJ e da UnB, já estão
sofrendo as consequências da redução orçamentária e, pelo visto, mais cortes
virão por aí.
Em
um país no qual os alunos de ensino médio público já sofrem com uma educação
precária, terá que lidar, a partir de agora no âmbito do ensino superior, com o
sucateamento das universidades federais. Uma pergunta se coloca para o debate:
até quando o governo continuará oferecendo alunos com um ensino médio
(fundamental, também) precário para a universidade pública também precária, sem
as condições necessárias para uma boa educação? Mesmo com os cortes no
orçamento, e sem condições de receber novos alunos, as universidades recebem
duas vezes por ano estudantes aprovados pelo ENEM. O resultado disso tudo será
catastrófico para a formação de futuros profissionais.
Fica
mais uma pergunta que não quer calar: como uma universidade pode dobrar seu
número de alunos e, ainda assim, o governo reduzir o orçamento destinado para a
educação? Isso é, no mínimo, impensável, mas serve para se refletir sobre quais
devem ser as prioridades do Brasil.
Grupo de estudantes realizam protesto em frente ao Ministério da Educação em Brasília. Foto CHARLES SHOLL
Neste
contexto, as greves nas universidades federais que estão se instalando por todo
o Brasil são mais do que válidas. Quando os professores querem lutar por seus
direitos e pelos direitos dos alunos, o que deve acontecer é um apoio de toda a
comunidade acadêmica. Porém existe aquele velho ressentimento sobre o atraso
nos prazos e a falta de aulas, o que não deixa de ser uma boa razão para ser contra
a greve.
Alguns
alunos como Acsa Serafim são contra a paralisação das aulas em tempos de greve:
“Eu acho que a greve é legítima no sentido de reivindicar melhorias para os
professores, melhorias que afetam também aos estudantes. Mas, neste momento, eu
não acho que a greve seja algo positivo. A UFMA, por exemplo, é marcada quase
que anualmente por greves de professores. Essas graves alteram todo o
cronograma dos estudantes, nos prejudicam de inúmeras maneiras. Eu teoricamente
tinha que colar grau ano passado, mas as greves me fizeram atrasar. Com uma
nova greve, eu posso me atrasar mais ainda. Um tempo precioso sendo perdido,
que eu poderia estar investindo em outras coisas. A greve é uma ferramenta
legítima, mas o sindicato - e os professores - precisam ter bom senso”, afirma
a estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão, que anunciou a
adesão à greve do administrativo recentemente e está em votação para adesão dos
professores.
Outras
Universidades como a UFAL, já entraram em greve desde a semana passada. A
estudante de comunicação Yasmim Pontual, explica seu posicionamento em relação
a greve dos professores que já se instalou em Alagoas: “Sou contra. Eu entendo
a reivindicação dos professores, sei que o curso e a universidade em si precisa
de melhorias, mas penso, enquanto aluna, que não muda muita coisa para quem é
estudante. Quando a greve termina, a estrutura ainda é precária, os professores
continuam faltando, a qualidade da aula não melhora e o semestre ainda fica
atrasado. Esse é um problema que não se resolve com aumento de salário e sim
com investimento no ensino, com professores que pesquisam e incentivam os
alunos a desenvolverem artigos, a pesquisarem também e que dão aulas de
verdade, ao invés de entrar em sala, passar trabalho e retornar no final do
semestre para recolhe-los, como funciona por aqui. Digo isso porque já pequei uma
greve de seis meses em 2012 e nada mudou quando voltamos. Continuamos sem
laboratório de telejornalismo, sem laboratório de rádio, e os professores não
dão aula como deveriam”, explica a aluna.
Mesmo
a maioria dos alunos serem contrários à greve, alguns estudantes como Stephany
Rodrigues apoiam a reivindicação dos professores: “sou a favor da greve dos
professores porque acredito que toda categoria tem direito a fazer greve e que
essa é uma eficiente forma de reivindicação por melhor remuneração e condições
de trabalho. Se os professores das IFES sentem essa necessidade, como estudante
acredito que devo apoiá-los porque a valorização deles e as condições adequadas
pra que exerçam suas atividades de pesquisa, ensino e extensão incide
diretamente sobre a qualidade da minha formação acadêmica e profissional. É do
conhecimento de todos que a pasta da educação tem sido uma das mais afetadas
com o corte de verbas ocasionado pelo arrocho orçamentário que parte da esfera
federal. Esse é o momento de professores e estudantes dizerem que educação é
prioridade. Precisamos ser solidários”, explica a aluna de comunicação da UFMA.
A
Universidade Federal do Maranhão é uma das universidades que demorou anunciar a adesão à greve, pelo fato de haver uma espécie
de “disputa política” entre os sindicatos dentro do próprio campus. A disputa
se dá entre a APRUMA e o novo sindicato SIND-UFMA. Tratam-se de vertentes
diferentes, enquanto a APRUMA é o sindicato mais antigo, o SIND-UFMA é uma
criação nova que segue os interesses da atual gestão da universidade. Em nota o
novo sindicato se pronunciou sobre seu posicionamento em relação à greve e o
sindicato antigo dos professores se pronunciou por meio de um artigo pulicado
no Site Oficial da APRUMA.
Ao final das discussões que aconteceram no dia 1º deste mês, foi decretado estado de greve pelos dois sindicatos. A APRUMA anunciou o início da greve para o dia 10 de junho e o SIND-UFMA para o dia 18 de junho.
Ao final das discussões que aconteceram no dia 1º deste mês, foi decretado estado de greve pelos dois sindicatos. A APRUMA anunciou o início da greve para o dia 10 de junho e o SIND-UFMA para o dia 18 de junho.
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