Mostrando postagens com marcador São Luís. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São Luís. Mostrar todas as postagens

Depois do enorme sucesso na capital maranhense, que levou mais de mil expectadores para o Cine Lume, o Festival Varilux de Cinema Francês 2015, que está sendo realizado naquele cinema, foi prolongado por mais uma semana. A partir desta quinta-feira (18), os 15 filmes que foram exibidos durante a semana passada serão reexibidos em nova programação com sessões alteradas. Serão cinco filmes por dia até a próxima quarta-feira (24).

Segundo Frederico Machado, a notícia reforça adianta mais o empenho da Lume Produções, que desde a sua criação tem atuado no fomento à produção audiovisual independente, e do Cine Lume, um dos mais respeitados e aclamados cinemas de arte do país. “Agradecemos a todo nosso público e aproveitem para ver os filmes que ainda não viram, ou ainda para rever os que ficaram marcados”, publicou Machado no perfil oficial do Cine Lume, em uma rede social.

Fazem parte da programação do festival o drama “Samba”, dos diretores de “Intocáveis”, “Hipócrates”, que ganhou o prêmio César de melhor ator coadjuvante para Reda Kated e “De cabeça erguida”, dirigido por Emamnuelle Bercot, que abriu o Festival de Cannes deste ano. Também estão presentes no line up o drama "O diário de uma camareira", que foi bem recebido pela crítica no Festival de Berlim 2015 e é protagonizado pela nova musa francesa Lea Seydoux e "Beijei uma garota", comédia que trata da diversidade e relações sexuais.

A comédia “Que mal eu fiz a Deus?", de Philippe de Chauveron, foi fenômeno de bilheteria na França em 2014 com mais de 15 milhões de espectadores; “Gemma Bovery – A vida imita a arte”, de Anne Fontaine, uma divagação contemporânea sobre o romance Madame Bovary; "Papa ou Maman", de Martin Bourboulon, comédia politicamente incorreta sobre um divórcio à francesa; e "Astérix e o Domínio dos Deuses", de Louis Clichy, primeira animação em computação gráfica e 3D baseada em histórias em quadrinhos são alguns outros filmes que integram a programação.

Programação
Quinta-feira (18)
14h – Na próxima, eu acerto no coração
16h – O diário de uma camareira
17h50 – Sobre amigos, amor e vinho
19h50 – De cabeça erguida
22h – Hipócrates

Sexta-feira (19)
14h – Os olhos amarelos dos crocodilos
16h15 – Hipócrates
18h10 – O que as mulheres querem saber
20h20 – Papa ou Maman
22h – O preço do amanhã

Sábado (20)
14h – Asterix e O domínio dos Deuses
15h40 – Beijei uma garota
17h30 – Que mal eu fiz a Deus?
19h20 – Sobre amigos, amor e vinho
21h20 – Na próxima, eu acerto no coração

Domingo (21)
14h – Papa ou Maman
15h40 – Asterix e O domínio dos Deuses
17h30 – De cabeça erguida
19h50 – Samba
22h – Sexo, amor e terapia

Segunda-feira (22)
14h – O preço da fama
16h05 – Sexo, amor e terapia
17h45 – Beijei uma garota
19h30 – Gemma Bovery – A vida imita a arte
21h20 – Os olhos amarelos dos crocodilos

Terça-feira (23)
14h – O diário de uma camareira
15h50 – Samba
18h05 – Sobre amigos, amor e vinho
20h – Que mal eu fiz a Deus?
21h55 – Hipócrates

Quarta-feira (24)
14h – De cabeça erguida
16h15 – Que mal eu fiz a Deus?
18h10 – Gemma Bovery – A vida imita a arte
20h – O que as mulheres querem
22h – Samba


Confira a sinopse de cada um dos 15 filmes exibidos no Festival Varilux 2015

Asterix e o Domínio dos Deuses (Asterix – Le Domaine des Dieux)

Direção: Louis Clichy
Elenco: Roger Carel, Guillaume Briat, Lorànt Deutsch
Ano: 2014
Gênero: Animação 3D – Aventura – Comédia
Duração: 1h26
Distribuição no Brasil: Bonfilm
Sinopse: O imperador romano Júlio César sempre quis derrotar os irredutíveis gauleses, mas jamais teve sucesso em seus planos de conquista. Até que, um dia, ele resolve mudar de estratégia. Ao invés de atacá-los, passa a oferecer os prazeres da civilização aos gauleses. Desta forma, Júlio César ordena a construção da Terra dos Deuses ao redor da vila gaulesa, de forma a impressioná-los e, assim, convencê-los a se unir ao império romano. Só que a dupla Asterix e Obelix não está nem um pouco disposta a cooperar com os planos de César.

Beijei uma Garota (Toute Première Fois)

Direção: Noémie Saglio e Maxime Govare
Elenco: Pio Marmai, Frank Gastambide, Camille Cottin.
Ano: 2015
Gênero: Comédia
Duração: 1h30
Distribuição no Brasil: Califórnia Filmes
Sinopse: Jéremie, 34 anos, surge em um apartamento desconhecido ao lado de Adna, uma adorável sueca. O início de um conto de fadas? Parece improvável, pois Jérémie está prestes a se casar... com Antoine.

Gemma Bovery – A vida imita a arte

Direção: Anne Fontaine
Elenco: Gemma Arterton, Fabrice Luchini, Jason Flemyng
Ano: 2014
Gênero: Comédia dramática
Duração: 1h39
Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Sinopse: A inglesa Gemma Bovery se muda com o marido para uma pequena cidade francesa. A vida de casada a entedia. Martin Joubert e sua esposa, uma mulher com uma vida muito sofrida, acabam de chegar na cidade. Eles procuram fugir do caos de Paris. Martin fica totalmente encantado com a beleza e o jeito de Gemma, o que os leva ao adultério.

Hipócrates (Hippocrate)

Direção: Thomas Lilti
Elenco: Reda Kateb, Vincent Lacoste, Jacques Gamblin
Ano: 2014
Gênero: Comédia dramática
Duração: 1h42
Distribuição no Brasil: Bonfilm
Sinopse: Benjamin tem certeza de que vai se tornar um grande médico. Mas em sua primeira residência no hospital onde o pai trabalha, nada acontece como previsto. A prática se revela mais difícil do que a teoria. A responsabilidade é terrível, seu pai é ausente e seu parceiro residente, Abdel, é um médico estrangeiro mais experiente do que ele. Benjamin vai confrontar brutalmente a seus limites, seus medos, os dos pacientes, das famílias, dos médicos e do pessoal. Sua iniciação começa.

De Cabeça Erguida (La Tête Haute)

Direção: Emmanuelle Bercot
Elenco: Rod Paradot, Catherine Deneuve, Benoît Magimel
Ano: 2015
Gênero: Comédia dramática
Duração: 2h
Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Sinopse: Desde os seis anos de idade, Malony comete pequenos delitos e tem problemas com a polícia. Durante toda a sua adolescência, um educador e uma juíza especializada na infância tentam salvá-lo.

Na Próxima, Acerto no Coração (La Prochaine Fois Je Viserai Le Coeur)

Direção: Cédric Anger
Elenco: Guillaume Canet, Ana Girartod, Jean-Yves Berteloot
Ano: 2014
Gênero: Drama Policial
Duração: 1h51
Distribuição no Brasil: California Filmes
Sinopse: Fim da década de 1970. Uma série de ataques assusta a região de Oise, na França: um maníaco que persegue jovens mulheres aleatórias. Franck (Guillaume Canet), policial tímido e de vida pacata, é designado para investigar o caso e, na verdade, sabe mais dos crimes do que qualquer um poderia imaginar.

O Diário de Uma Camareira (Journal D'une Femme De Chambre)

Direção: Benoît Jacquot
Elenco: Léa Seydoux, Vincent Lindon, Clotilde Mollet
Ano: 2015
Gênero: Drama
Duração: 1h35
Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Sinopse: O filme se passa em 1900. Célestine, uma jovem camareira muito cobiçada por conta de sua beleza, acaba de chegar de Paris para trabalhar para a família Lanlaire. Enquanto foge dos avanços de seu senhor, ela deve lidar com a rigorosa personalidade de Madame Lanlaire, que governa o lar com punho de ferro. Ao mesmo tempo, Célestine conhece Joseph, um misterioso jardineiro que está profundamente apaixonado por ela.

O Preço da Fama (La Rançon De La Gloire)

Direção: Xavier Beauvois
Elenco: Benoît Poelvoorde, Roschdy Zem, Séli Gmach
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 1h54
Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Sinopse: Ao sair da prisão, Eddy é saudado por seu amigo Osman. As vésperas do Natal, a falta de dinheiro se agrava. Além disso, quando a televisão anuncia a morte do comediante Charlie Chaplin, Eddy tem uma ideia: roubar o caixão do ator e pedir um resgate a família!

O Que as Mulheres Querem (Sous Les jupes des Filles)

Direção: Audrey Dana
Elenco: Isabelle Adjani, Alice Belaïdi, Laetitia Casta
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 1h56
Sinopse: Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Esta comédia se passa no primeiro mês de primavera, acompanhando as histórias amorosas de onze mulheres diferentes. Umas são esposas, outras são as melhores amigas, as amantes, as empresárias... Cada uma se envolve em um novo caso, com os homens de suas vidas, ou simplesmente com algum desconhecido encontrado por acaso.

Os Olhos Amarelos dos Crocodilos (Les Yeux Jaunes Des Crocodiles)

Direção: Cécile Telerman
Elenco: Julie Depardieu, Emmanuelle Béart, Patrick Bruel.
Ano: 2014
Gênero: Comédia dramática
Duração: 2h02
Distribuição Brasil: Mares Filmes
Sinopse: Duas irmãs têm uma relação conflituosa: Iris leva uma vida fútil e luxuosa, sem trabalhar; Joséphine trabalha como pesquisadora da Idade Média, mas não tem o reconhecimento da família, e acaba de passar por uma ruptura amorosa. Um dia, para impressionar a família, Iris diz que está escrevendo um livro, justamente sobre uma pesquisadora da Idade Média. Para sustentar a mentira, ela pede que Joséphine escreva um livro de verdade e a deixe levar o mérito em troca de dinheiro. Quando o livro inesperadamente obtém sucesso, as duas irmãs entram em rota de colisão.

Papa ou Maman

Direção: Martin Bourboulon
Elenco: Marina Foïs, Laurent Lafitte, Alexandre Desrousseaux, Anna Lemarchand, Achille Potier
Ano: 2015
Gênero: Comédia
Duração: 1h25
Distribuição no Brasil: Tucuman Filmes
Sinopse: Florence e Vincent Leroy formam um casal bem-sucedido. Têm bons empregos, filhos maravilhosos e um casamento perfeito. Mas quando os dois recebem uma promoção dos sonhos no trabalho, tudo começa a mudar e a vida em conjunto se transforma em um pesadelo. Em pé de guerra, eles decidem se separar e vão fazer de tudo para não ter a guarda das crianças.
  

Que mal eu fiz a Deus? (Qu'est Ce Qu'on A Fait Au Bon Dieu?)

Direção: Philippe de Chauveron
Elenco: Christian Clavier, Chantal Lauby, Ary Abittan.
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 1h37
Distribuição no Brasil: Europa Filmes/Pandora Filmes
Sinopse: O casal Verneuil tem quatro filhas. Católicos, conservadores e um pouco preconceituosos, eles não ficaram muito felizes quando três de suas filhas se casaram com homens de diferentes nacionalidades e religiões. Quando a quarta anuncia o seu casamento com um católico, o casal fica nas nuvens e toda a família vai se reunir. Mas logo descobrirão que nem tudo é do jeito que eles querem.

Samba (Samba)

Direção: Eric Toledano e Olivier Nakache
Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim
Ano: 2014
Gênero: Comédia dramática
Duração: 2h
Distribuição no Brasil: California Filmes
Sinopse: Samba é um imigrante do Senegal que vive há 10 anos na França e, desde então, tem se mantido no novo país à custa de bicos. Alice, por sua vez, é uma executiva experiente que tem sofrido com estafa devido ao seu trabalho estressante. Enquanto ele faz o possível para conseguir os documentos necessários para arrumar um emprego digno, ela tenta recolocar a saúde e a vida pessoal no trilho, cabendo ao destino determinar se estarão juntos nessa busca em comum.

Sobre Amigos, Amor e Vinho (Barbecue)

Direção: Éric Lavaine
Elenco: Lambert Wilson, Franck Dubosc, Florence Foresti, Guillaume de Tonquedec, Lionel Abelanski
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 1h38
Distribuição no Brasil: Tucuman Filmes
Sinopse: Pelo seu aniversário de 50 anos, Antoine recebeu um presente bem original: um infarto! A partir de agora, ele terá que se cuidar. O problema é que Antoine sempre cuidou de tudo: da saúde, da alimentação, da família, de não magoar os amigos e concordar com tudo. Mesmo assim, ele aceita encarar um novo regime e, na tentativa de mudar de vida, acabará mudando a dos outros também.

Sexo, Amor e Terapia (Tu veux ou tu veux pas)

Direção: Tonie Marshall
Elenco: Sophie Marceau, Patrick Bruel, André Wilms
Ano: 2015
Gênero: Comédia romântica
Duração: 1h28
Distribuição no Brasil: Mares Filmes
Sinopse: Esta comédia mostra um encontro inesperado: Judith é uma mulher que vive abertamente a sua sexualidade, mantendo casos com diversos homens; já Lambert é um viciado em sexo que tenta justamente pensar em outra coisa e conter os seus desejos. Mas quando Judith passa a trabalhar como assistente no consultório de Lambert, a situação não vai ficar muito fácil para nenhum dos dois.

 “Vai ser bem, bem melhor que você pensou”, diz o trecho de “Maré”, música que integra o álbum “Vista pro Mar”, do cantor capixaba SILVA, e que deu tom ao show realizado no Teatro Arthur Azevedo, na última terça-feira (2). Apesar da canção não ter entrado no repertório da apresentação, sua aura foi sentida pelo público ludovicense que pode se encantar com a simplicidade e sutileza da voz de SILVA.
Na ocasião, ele apresentou o show “Vista pro Mar”, pincelando músicas do último álbum e de “Claridão”, seu primeiro disco. Houve também a interpretação de “Mais Feliz”, composição Bebel Gilberto e Cazuza, que foi gravada por Adriana Calcanhoto e recebeu nova roupagem.
Quem fez as honras da casa foi a cantora maranhense Nathalia Ferro. Num look moderno, que compunha saia em comprimento midi e sapatos Oxford nas cores creme e blusa estampada, ela fez um pocket show de seis músicas do mais recente álbum, “Alice Ainda” (ouça o álbum completo aqui), que foi lançado virtualmente nas plataformas souncloud e youtube no último mês de abril.
Ferro traz no disco 12 faixas de 11 compositores maranhenses. Entre eles Phill Veras, Betto Pereira, Beto Ehongue, Marcos Lamy, Hermes de Castro, Lucas Maciel, Adnon Soares, Paulo César Linhares, Laila Razzo, Marcello Oliveira, Léo Del Nery, além dela mesma.
O pocket show foi bem intimista. No set list, “Vila Esperança”, “Ana e a Lua”, “Como qualquer chiclete”, “Música do Sereno”, “Grilos” e “O que não é de mim”. Ferro foi acompanhada por João Simas (violão) e Carlos Silva (cajon/pandeiro).
Contudo, o público estava esperando mesmo por SILVA. Essa seria a primeira apresentação do artista na capital maranhense. Ele já havia estado no Maranhão há alguns anos para acompanhar o irmão (Lucas Silva) em turnê por São Luís e Imperatriz.
Para abrir o show, SILVA escolheu “Vista pro Mar”. Como ele é bem perfeccionista, não se sabe se a escolha da música foi um trocadilho, já que São Luís é uma cidade litorânea. De cara o público imergiu na vibe tranquila e nos beats eletrônicos da canção. Desse álbum foram cantadas “É preciso dizer”, “Okinawa”, “Disco Novo”, “Volta”, “Ainda”, “Universo” e “Janeiro”. Por incrível que pareça, “Entardecer”, música que traz um pouco de reggae não foi cantada por SILVA no show. Justamente na terra que é conhecida como a Jamaica Brasileira.
Do disco “Claridão”, além da música, SILVA cantou “2012”, “A visita”, “Moletom”, “Mais cedo” e “Imergir”. Como de costume, ele estava vestido com camisa e calças pretas. A simplicidade é algo que reina na vida do cantor. Ele dividiu o palco do Teatro Arthur Azevedo com o baterista Hugo Coutinho, que lhe acompanha desde o início da carreira.
O show foi bastante contemplativo. A plateia não dançou, berrou (apesar de um garoto gritar constantemente “lindo” para SILVA a cada final de música) ou ficou em pé. Na verdade, o público parecia estar encantado com cada nova música interpretada pelo capixaba. Tímido, ele não falou muito, mas no pouco que se comunicou agradeceu o carinho dos fãs maranhenses, elogiou a beleza da cidade e do teatro, um dos locais mais bonitos visto por ele.
Ao encerrar o show, o público pediu que SILVA retornasse ao palco. Ele voltou e cantou “Janeiro”. Ao final de tudo, ainda se dispôs a ficar quase uma hora tirando fotos com fãs. É muito fofo, não é verdade? De São Luís, SILVA saiu em turnê por outras capitais do nordeste, como Fortaleza (CE), Maceió (AL), Natal (RN) e Recife (PE).

Quem é SILVA?

SILVA, no show em São Luís/MA. (Foto/Reprodução/Instagram)
Lembro como se fosse hoje a primeira vez que ouvi falar de SILVA. Estava zapeando pela televisão à procura de algo bom e útil para meu entretenimento quando, de repente, num intervalo da “Sessão da Tarde”, assisto a propaganda do mais novo lançamento da Som Livre. “Vista pro Mar” era o nome do álbum. A vinheta salientava a participação de Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, que no disco faz um duo em “Okinawa” (assista o clipe aqui). A música chamou-me bastante atenção. O tal SILVA também.
Seria ele “só mais um Silva que a estrela não brilha”, como diz o funk “Rap do Silva” (relembre aqui), do MC Marcinho? Resolvi tirar minhas próprias conclusões e fui pesquisar. De imediato, imergir no som melancólico do álbum “Claridão”. Não sou de ouvir música eletrônica, mas sempre que escuto procuro o que de melhor estão produzindo por aí. Me surpreendi com o estilo de SILVA. É música eletrônica, MPB, indie, pop, rock... uma mistura que soa bem aos ouvidos. E não, SILVA não era mais um Silva qualquer. 
No set list deparei-me com “A virada” (ouça aqui), única música do CD que tem por base o violino. Na verdade, já conhecia o trabalho de SILVA e não sabia. Essa canção, em especial, fez parte de uma das propagandas da empresa de celular Vivo. “Imergir”, outra faixa do disco, também fez parte da trilha sonora da novela “Além do Horizonte” (Rede Globo), como tema do casal protagonista, que era interpretado pelos atores Thiago Rodrigues e Juliana Paiva.
A novela não emplacou, mas a carreira de SILVA estava decolando. O capixaba foi conquistando cada vez mais espaço na mídia e a crítica recebeu bem tanto o “Claridão” quanto o “Vista pro Mar”. Eu, particularmente me dividi entre os dois.
Depois de algum tempo ouvindo-o descobri que SILVA é irmão do Lucas Souza, um ex-cantor gospel (assista o DVD "Revolução de Jesus" aqui). É que ele abandonou a carreira neste meio em 2013 por divergências com o mercado musical. A partir de então, Lucas passou a assinar o sobrenome do meio (Silva) e assessorar a carreira do irmão.
É Lucas que compõe quase todas as canções SILVA. Irmãos na vida e na profissão, SILVA contou-me (em entrevista que fiz para o jornal O Estado do Maranhão) que partiu do próprio irmão a decisão de acompanhar sua carreira e que aquilo lhe deixava muito feliz, pois segundo ele, Lucas tem um talento incrível para compor.
Lucas fica com a letra e SILVA com a parte de arranjos, melodias, ritmo. Uma parceria que tem dado muito certo e conquistado um número maior de fãs. SILVA, que toca piano, sintetizadores, órgão, guitarra, violino, violoncelo, violão, vibrafone e ukelele, entre outros instrumentos, foi iniciado na música na infância. Sua mãe é professora de musicalização, o tio pianista e o irmão músico.

“Claridão” x “Vista pro Mar”

Apresentação de SILVA, no Teatro Arthur Azevedo. (Foto/Reprodução/Facebook)

Na entrevista que tive com SILVA (leia na íntegra logo abaixo), ele contou que quando estava produzindo o “Claridão” enfrentava um momento delicado na vida. Sua principal referência familiar, o avô, tinha acabado de falecer. “Claridão” recolhe as cinco músicas do EP “Silva”, lançado em 2011 na internet, e outras sete que foram compostas para integrar o disco. É por isso que o álbum é bem melancólico.
O disco foi lançado em 2012, poucos meses após o falecimento do avô. A canção que abre o CD é “2012” (ouça aqui). Ela retrata três passagens importantes na história dos irmãos Silva que são contadas no seu decorrer, como o possível “fim do mundo” que estava previsto para o ano de 2012, segundo o calendário Maia; a impossibilidade de o avô ver os novos rumos que tomavam a carreira dos netos (quem se apressou perdeu toda essa luz crepuscular); assim como celebra as novas oportunidades que estavam acontecendo para SILVA, já que naquela época ele havia assinado contrato com a gravadora Som Livre (não quero certo, gosto mesmo do incerto/pode ser belo o feio visto de perto/o avesso às vezes dá certo).
Para se desvincular dessa imagem “melancólica”, SILVA decidiu trazer em seu próximo álbum um som mais alto astral, que fosse para dançar. Para tanto, ele viajou com Lucas para a Flórida, que fica na costa litorânea dos Estados Unidos, a fim de visitar a irmã Lucília, que mora lá há bastante tempo. Naquele país, ao se deparar com o clima e a cultura alternativa da cidade, começou a compor as letras de “Vista pro Mar”.
O disco foi finalizado em Portugal, terra que abraçou sua música. Em terras lusitanas, SILVA conseguiu emplacar “A visita” em uma das novelas daquele país. O sucesso lhe creditou apresentação na final da versão portuguesa do programa The X Factor (assista a participação aqui).
Vista pro Mar” traz como músicas fortes “Okinawa”, “Janeiro”, “É preciso dizer” e “Volta”. Esta última traz elementos do kuduro, ritmo angolano que tem se espalhado pela África e chegou ao Brasil por meio da música “Vem Dançar Kuduro”, versão brasileira de uma música francesa, interpretada pelo cantor Latino. Segundo SILVA, por achar que essa canção não representa bem o kuduro, ele resolveu pesquisar o contexto histórico do ritmo e viajou até a Angola para gravar o videoclipe de sua música e gravar um documentário

Assista o documentário "Angola", de SILVA.

O documentário é bem curto e registra a passagem de seis dias de SILVA na capital angolana. O vídeo foi dirigido por Angelo Silva e William Sossai, amigos portugueses que também se interessavam pela cultura africana. No doc, SILVA narra a evolução do kuduro e a felicidade daquele povo, que mesmo enfrentando sérios problemas econômicos, sociais e políticos, expressam por meio da música toda a sua alegria.

Show foi realizado apenas com a bateria de Hugo Coutinho e os sintetizadores de SILVA. (Foto/Reprodução/Instagram)

ENTREVISTA
Em quase uma hora de conversa por telefone, SILVA comentou um pouco da sua carreira, o processo de criação dos álbuns “Claridão” e “Vista pro Mar”, a proximidade com o irmão Lucas Silva, religião, a inclusão de “Imergir” na trilha sonora de uma novela global, contato com Fernanda Takai e sua ida a Angola, que resultou na gravação do videoclipe de “Volta” e num documentário. Parte da entrevista foi publicada na edição de 2 de junho de 2015, do caderno Alternativo, no jornal O Estado do Maranhão.


Italo – Você se chama Lúcio da Silva Souza. Por que usar SILVA como nome artístico?
SILVA - Eu escolhi SILVA por que eu não queria usar Lúcio e alguma coisa... nome duplo, sabe? Depois de uma brincadeira entre amigos surgiu a ideia de usar só SILVA. Tem também a relação com meu avô, que deu a minha família o nome Silva. É uma homenagem a ele, que foi alguém muito importante pra mim. 

Italo – Crescestes em um ambiente religioso. Seu avô foi pastor e seu irmão (Lucas Silva), por muito tempo, foi cantor de música gospel. Em algum momento chegastes a cogitar a carreira gospel?
SILVA - Vivi num meio bem religioso. Foi uma escola muito importante pra mim. Já toquei vários instrumentos e participei do coral na igreja, mas nunca quis associar minha música a um caminho religioso. Sempre achei que a música é uma coisa livre. Não queria ficar preso a um tema ou a dogmas religiosos. Foi uma fase muito importante pra mim, mas que passou.

Italo – Em algumas entrevistas você chegou a declarar que tinha medo de não ser muito bem recebido em Vitória (ES). Tanto que o primeiro show da sua carreira foi em São Paulo, no Festival Sónar, logo após o lançamento do “Claridão”. A cena autoral e independente de Vitória é fraca?
Italo – Em Vitória tem uma cena musical muito boa e promissora. Tenho até um amigo que é muito bom e tenho certeza que quando lançar um álbum vai chamar bastante atenção. Não divulgo o nome dele por que ele ainda não tem nada gravado e nome artístico. Quando lancei minha carreira, tinha aquele pensamento de que ‘santo de casa não faz milagre’. Só que com o tempo fui conquistando espaço e mostrando que estava ali para trabalhar. O que Vitória não tem é uma mídia que ajude na divulgação desses músicos. É difícil você ver algum trabalho de artistas capixabas que vençam a barreira do Estado. É algo que eu quero e espero ver mudar.

Italo – Qual a tua primeira composição?
SILVA – “A visita” foi a primeira música que compus. Ela foi feita na época em que morava na Irlanda e como não tinha muitos instrumentos, a base dela é toda no violino.

Italo – Aliás, seu irmão (Lucas Silva) assina várias das suas canções. Como é essa tua relação com ele?
SILVA – Lucas sempre foi um dos meus melhores amigos, apesar de ser três anos mais velho do que eu. Temos uma relação muito próxima e partiu dele a decisão de acompanhar minha carreira. Eu precisava muito dele, pois ele tinha mais experiência nesse mercado da música e me ajudou muito com negociações com a gravadora. Hoje, ele fecha meus shows e me assessora. Além disso, ele tem um talento gigante pra letra, pois compõe muito bem. Eu entrego a ele uma ideia de melodia e em 20 minutos me entrega uma música. Dei muita sorte de ter um irmão com tantas boas qualidades trabalhando comigo.

Italo – “2012” é a música que abre o disco “Claridão” e também é o ano em que você assinou contrato com a Som Livre. Foi um ano marcante para você?
SILVA – Sem dúvida alguma esse ano foi muito importante. Foi um ano de muita dúvida, angústia e de coisas boas para mim. Também foi a época em que meu avô morreu. Ele foi um cara que sempre me apoiou musicalmente e não viu nada acontecer. Fiquei muito mal com isso, pois ele era a pessoa que eu mais queria que tivesse visto o que tinha acontecido comigo.

Italo - “Imergir” fez parte da trilha sonora da novela Além do Horizonte (Rede Globo), como tema do casal protagonista. Qual a sensação de ter uma música sua, do primeiro álbum, em uma novela?
SILVA - Eu acho isso super positivo. Nunca imaginei ter uma música minha em novela. Foi até engraçado. A fila pra se colocar uma música em novela é gigante e nunca fui disso. Foi algo natural.

Italo – O álbum “Claridão” é bem melancólico, mas o “Vista pro Mar” é bem alegre. Como foi o processo de criação do último disco?
SILVA – Então, depois que você passa por essa fase meio melancólica, a tendência é se desapegar dela. Viajei pra Flórida com meu irmão e lá pude conhecer um pouco da cidade, que é bem solar. Tem muitas praias e não é muito down. O lugar era bem pra cima, mas eu gosto de coisas melancólicas. Só que o disco foi minha tentativa de fazer algo mais leve. Olhar menos pra dentro e mais pra fora. Algo mais contemplativo. Fui tentando buscar esse som dentro do que eu faço.

Italo – Como surgiu a ideia de chamar a Fernanda Takai para gravar "Okinawa"?
SILVA - Sempre admirei a postura da Takai. Costumo dizer que ela é a artista que mais sabe lidar com o próprio ego. Nunca a vi dando chilique ou uma de diva. Ela é sempre pé no chão, super moderna e sempre fui fã. Ao fazer essa música queria a participação de uma mulher e quando ela foi surgindo pensei logo na Takai. Só que não tínhamos uma ligação muito próxima. Depois de um trabalho com o Nelson Mota, no Rio de Janeiro, pude conhecê-la melhor e passei a trocar emails. Quando a Lana Del Rey fez um show em Belo Horizonte, a Takai estava lá. Levei a demo da música pra ela ouvir, saímos para almoçar e depois aceitou gravar comigo.

Italo – Recentemente, você gravou o videoclipe de “Volta” e um documentário na Angola. Qual a sua relação com o continente africano?
SILVA – “Volta” tem bastante referência africana. Fiz essa música em um aplicativo de celular e na época estava ouvindo muita coisa africana. Percebi que tinha referência do kuduro e fui estudar mais sobre esse ritmo. Ao chegar a Angola, senti a necessidade de registrar um país que muitos de nós desconhecem, pois os angolanos são bem alegres. E essa alegria que queria passar para todos.

Italo – Muitos críticos de música afirmam que você é uma das promessas da nova MPB. Gostas dessa referência?
SILVA - Não gosto muito dessa coisa de ‘a nova MPB’. Acho isso pretensioso demais. O que eu faço é uma coisa minha. Não tenho um grupo de pessoas que andam comigo e a gente tem um som parecido. Não me enxergo nessa coisa de MPB.

Italo – Então, você se considera um artista pop?
SILVA - Pop é uma coisa mal compreendida. As pessoas costumam associá-lo a Britney Spears e, sei lá, não necessariamente é isso. Steve Wonder é pop pra mim. Pop é um gênero que costuma ter uma relação com a contemporaneidade. Nunca quis fazer um gênero tradicional, mas sempre me permiti experimentar coisas novas.

Italo – Você tem uma ligação muito forte com a música eletrônica. Ao se lançar profissionalmente, em 2011, não sentia medo do público não absorver bem a sua proposta de mesclar vários ritmos musicais?
SILVA - Quando eu ouso demais em alguma música eu tenho medo das pessoas não entenderem a minha proposta. Se a coisa não ficar muito ‘entendível’ eu não lanço. Gosto de me comunicar com as pessoas por meio do som.

Italo – Existe alguma música que você ousou demais?
SILVA - “Mais Cedo” [cliquei aqui e ouça]. Quando fui para o Japão no ano passado eles falaram: “Essa é a música que te trouxe pra cá. É uma música brasileira, mas que não tem indícios de uma música brasileira”. Ao ouvir isso deles fiquei muito feliz, pois ela flerta com vários gêneros e é uma música que eu realmente acho muito corajosa.

Italo – Existe alguma música que não pode faltar nos teus shows?
SILVA – Hoje está bem complicado montar um set list. Não posso tocar os dois discos inteiros, pois o show ficaria grande demais. Gosto de fazer um show de no máximo 1h30 pra não cansar o público, mas por exemplo, se eu não tocar “A visita” com violino, as pessoas me reclamam depois nas redes sociais. “12 de maio” e “2012 são outras músicas do “Claridão” que eu sempre tenho que tocar. Já do “Vista pro Mar”, sempre toco “É preciso dizer” e “Universo”.

Italo – Você tem formação em violino. Uma das suas músicas mais conhecidas tem por base o violino. Qual é a tua relação com esse instrumento?
SILVA – O violino é um instrumento cruel, mas é uma coisa que eu amo. Lembro que no início era um sofrimento, pois era muito difícil de aprender. Comecei dos 5 para os 6 anos e fui muito disciplinado pela minha mãe que sempre ficava no meu pé. Logo que terminei de fazer o EP, em 2011, me formei em violino. Hoje estou meio enferrujado por causa da rotina de viagens, mas nunca parei de estudar.

Italo – O que você conhece do Maranhão?
SILVA – Já ouvi falar que a culinária é muito boa e que tem ótimos lugares para si conhecer. Também tenho muitos amigos músicos que falam que a cena de reggae é muito forte. É uma coisa que eu amo. 


Assista o videoclipe de "Volta", gravado na Angola.