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 Eu nunca gostei de calçados na cor preta. Talvez porque quando eu estudava em uma escola tradicionalmente católica, eu era obrigada a apresentar para o porteiro todas as manhãs, o meu tênis preto sem detalhe algum, não esquecendo de levantar a barra da calça e mostrar as meias impreterivelmente brancas. Caso o contrário, voltava pra casa.
  Quando tive a oportunidade de mudar de escola, usei tênis branco. Não aderi moda, apenas queria estar livre dos padrões de vestuários escolares. Enquanto todas as meninas usavam tênis femininos, eu estava feliz com meu tênis de skatista branco encardido. As meias? Não podiam ser brancas. E deveriam ter detalhes.
  Acho que adquiri algum trauma. E desde então, se possível fosse evitar, nada de sapatos, tênis, sapatilhas ou sandálias pretas. Minha pequena coleção de sapatos (e aí declaro meu vício) estava com itens limitados nesta cor. Uma sandália de salto, um tênis para práticas esportivas – comprado porque continha detalhes rosa – e uma sapatilha.
  Até que... Um novo estágio. Um seletivo. Fui escolhida! “Calça jeans e sapatilha preta”. A única frase que pairou na minha cabeça foi “não acredito”. Eu poderia comemorar, ficar feliz, pensar que aprenderia novas áreas, mas só pensei que todas as manhãs, de segunda a sexta, nem um dos meus maravilhosos sapatos escolhidos poderiam ser usados. Aquela bege com laço vermelho? Nem pensar! E o scarpin nude? Muito menos!
  Neste dia eu descobri que precisava usar o que eu tinha a meu favor. Mas o que eu tinha? Uma sapatilha preta antiga, quase nunca usada. Passei um tempo com ela. Até que fui apresentada ao meu novo amor: uma Moleca na cor preta.
  Ainda hoje tenho só as duas sapatilhas pretas. Mas quero mais. Não por consumismo. E sim porque descobri que, até no que parece improvável ou desgostoso a início, pode ser transformado em felicidade e satisfação ao final.



   Esse não é mais um daqueles testes em que você encontra o amor da sua vida, ou o que descobre se és uma pessoa ciumenta. Esse nem é um teste. Talvez nem apresente as dez razões. Esse é apenas um texto. Um texto encontrado entre outros tantos veiculados na blogosfera atual.
  Hoje me deparei com diferentes testes sobre relacionamentos. Eu mesma sou uma que fica com os dedinhos coçando para clicar e ver o resultado após uma sequência - que pode ser grande ou pequena - de perguntas que avaliarão sua personalidade.
 Só esqueceram de contar que relacionamento está bem longe de ser aquele pré-fabricado. Relacionamento não é acompanhado através de livros de autoajuda ou mesmo de mapas de personalidade, até porque somos todos diferentes. Como um único livro pode mudar tantas pessoas com uma lista de razões?
  Relacionamento é querer ficar. É querer estar. Apesar dos problemas, apesar das brigas, apesar dos dias chuvosos em que não haverá nenhum filme interessante pra ver debaixo das cobertas. Relacionamento não pode ser decidido a partir de cinco razões que definirão se você está por comodismo ou não.
  E você realmente pode estar em um relacionamento por costume. Você realmente pode ter encontrado modos diferentes de ver o outro, ou até mesmo encontrou uma outra pessoa na qual confiar, o que já não ocorria com anterior. Mas não é um portal eletrônica que dirá isso. Muito menos um quiz patrocinado.
 Então, se ao ler todas essas questões você se questionar sobre o seu futuro, pare e pense. Pensar cansa e pode até doer, mas vale a pena. Agora caso você tenha vindo aqui e não tenha encontrado as dez razões e esteja frustrado, peço desculpas. Nem eu mesma me encontrei.

O Dia dos Namorados, em alguns países conhecido como Dia de São Valentim, é uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais, namorados e em alguns lugares até com amigos. No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo António, também conhecido pela fama de "Santo Casamenteiro". (via Wikipédia)

Tá chegando. Faltam apenas nove dias. Cada passo que eu dou parece um momento interminável. Fotos de diferentes pessoas, com diferentes modos de falar, mas um único tema: o amor. José postou uma foto com sua namorada. Namoro duradouro. Tem dois meses. Comparado aos demais destruídos por comentários femininos em suas fotos, parece que José vai passar o dia feliz.

Marta encontrou o amor. Faz questão de mostrar isso ao mundo. Todo dia, às 7 horas da manhã, quando entro nas minhas redes sociais, é primordial: há uma foto de Marta e Vitor, sorrindo felizes em uma de suas viagens para destinos que todo ser humano quer, mas como trabalhador que não consegue tirar as férias de 30 dias, acaba não passando de sonho.

Eu estou aqui. Não sou solteira, não sou casada. Escrevo textos apaixonados e muitas vezes conto aos quatro cantos da terra a felicidade do amor. Mas, em terras de amores líquidos, em que perdidos estamos sobre a fidedignidade de cada palavra dita (digitada) no Whatsapp, sempre que vejo uma foto me pergunto sobre a história do casal. Talvez eu não seja a única. Talvez façam isso sobre mim também. Mas quando os dia dos namorados chegar, eu quero poder ser feliz sozinha também.

Sem rótulos, sem declarações públicas, ou até mesmo sem encontro amoroso. Apenas lembrando que o líquido está na não concretude do meu ser que deveria antes ser completo, para depois ser de outrem.






"Um casal que se conheceu por intermédio do destino. Acreditas em destino? Eu passei a acreditar quando conheci essa história. 

As forças que trataram de unir foram as mesmas responsáveis pelo distanciamento. Distanciamento que até hoje sofre indagações das causas. 

A causa é só uma: obra do destino.

Destino que encarrega de fazer ações virarem lembranças, e sonhos virarem realidade.

A mocinha da história tinha o sonho – perdido em tantas idas e vindas do suposto amor – de encontrar o príncipe encantado.

O rapaz da história, por mais que digam que o mesmo estivesse satisfeito com a vida “livre” que levava, esperava por alguém com quem pudesse compartilhar seus sonhos, anseios, projetos e visões. Mais que isso, precisava de alguém que topasse viver os sonhos e transformá-los em seus.

Os dois se encontraram.

Reencontraram.

Re-reencontraram.

A mocinha percebeu que príncipes encantados não existem, mas que, a partir do esforço que o rapaz tinha em trata-la como princesa, reacendeu a chama dos sonhos adormecidos.

O rapaz descobriu que a liberdade antes vivenciada não passava de uma ilusão e que a verdadeira liberdade podia ser encontrada nos olhos libertários da mocinha.


Os dois, unidos, passaram a entender que o passado remetia a um rascunho e a história seria contada a partir dali. A partir do momento em que o destino os uniu".

Essa poderia ser uma pequena narrativa de um conto de fadas. Ou mesmo de um conto real. Mas, na realidade, não passa de um rascunho do início de uma longa história. História que eu faço questão de escrever.


Texto escrito originalmente em Imensidão de Devaneios